quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Saudade é coisa que dá e volta
Acabo de descobrir um app do blogspot para celular. Deve ser antigo, mas eu, enquanto um amante nada dedicado das novas tecnologias, apenas descobri agora.
E me deu saudade do período curto em que eu conseguia publicar por aqui.
Como saudade é coisa que nunca se vai, saudadei outras coisas e mais.
Saudade de quando eu digladiava com formigas assassinas. De quando fazia sala para mariposas desamparadas. De como conseguia tornar palitos de dentes em espetinhos de tatus-bolinha. De quando esmagava, sem querer, um ou outro pintinho que cruzava meu caminho nas batalhas travadas contra as árvores diabólicas; as armas - cabos de vassoura cuidadosamente esculpidos em forma de lanças mortais.
Mas saudade é coisa que dá e volta.
Parafrasearei o meu mais famoso jargão, um dia atribuído a um poeta e a um maestro, o qual ainda fora surrupiado por um baiano que foi tido como o pai da bossa-nova (se a SOPA já tivesse sido aprovada...): CHEGA DE SAUDADE! Por hoje. Se dormir agora, ainda conseguirei correr na beira do ribeirão amanhã antes do trabalho.
domingo, 6 de novembro de 2011
Barba
Algumas também.
Eu já nasci com.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
E o boletim dos estudiantes?
Se o relógio do meu laptop estiver certo, agora são 23H57 de uma quarta, 15 de fevereiro de 2011. Belo Horizonte vive um dia quente, com o Cruzeiro disputando partida pela Libertadores e a PBH lançando uma campanha publicitária referente à volta do Boletim Escolar nas escolas municipais. Campanha estrelada pela excelente Fernanda Takai, mas que, no vídeo, e enquanto contratada, apenas parece estar alí, mas demonstra torcer para o "outro lado".
Mas torcer para qual lado? Ou melhor, ou também, tomar qual partido? O Cruzeiro, time da Fernanda, jogou hoje com o Estudiantes. Venceu de "mão cheia", termo bem típico do radialismo esportivo (não só) mineiro.
Enquanto os nossos "estudiantes" voltam a ter boletim, e com isso não podem mais esconder dos pais o seu desempenho escolar, a sua "nota", o time argentino não conseguirá esconder de ninguém sua tamanha previsibilidade e seu fraco desempenho na partida. Claro, sem tirar o mérito da equipe celeste (Celeste? É isso mesmo, produção?).
***
Saindo de uma aula de..., fui com um amigo a um bar no Anchieta para tomar um chopp e comer brócolis com alho e picanha. Eu, enquanto brasileiro apaixonado por futebol, escolhi um bar que transmitisse a partida. Antes do final do primeiro tempo meu amigo foi embora. Aproveitei a deixa e pedi a conta.
Segui para casa, mas é lógico que eu, enquanto brasileiro apaixonado por futebol, parei em um bar tosco no Calafate e me sentei para assistir ao restante da partida. Na mesa ao meu lado, quatro cruzeirenses comentavam sobre como o time deles era uma seleção, blá-blá-blá, pi-ri-ri-po-rô-rò, até que um pergunta:
" - E a nova camisa da seleção (no caso, o sujeito se referia ao próprio Cruzeiro, que jogava a primeira partida com a nova camisa), o que vocês acharam?"
Em coro:
" - Linda!"
Aí um deles começou a comentar sobre camisas de "outras" seleções, até que um fez o favor de proferir:
" - Estes caras que usam camisas de outro time, pra mim só tem uma explicação: é tudo pateticano que não tem título e fica usando camisa dos outros!".
Em coro:
" - É mesmo!"
Papo vai, papo vem, e outro comenta:
" - Cento e tantos pau numa camisa do Cruzeiro? Numa camisa de time? Não pago nem fudenu! Prefiro comprar no Shopping Oi uma de trinta conto!"
E outro diz:
" - Ah, pode até parecer original, mas não dura nada!"
E a resposta:
" - Dura sim, uai! Camisa de time a gente usa só de vez em quando mesmo...".
PS.: Se abaixo não tiver nenhum comentário, é simplesmente pela falta de necessidade.
FIM
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Feira de São Joaquim
Post imagético.
Significa que não poderei escrever? Quase. Na verdade, hoje foi um dia daqueles, agitados como o sujeito semi-pressa não costuma curtir muito. Agora, já tarde da noite, o sono bate e eu aqui, lutando contra ele. Mas por qual motivo, já que estou cansado? Agora que consigo realmente relaxar, acredito que, dormindo, eu não aproveitarei o momento - por mais que precise dormir.
Poder curtir o descanso invariavelmente me faz lembrar da vida em terras soteropolitanas. Abaixo algumas fotos que ativam queridos fragmentos de minha memória. Fragmentos que, assim como eu, preferem poder descansar boa parte do tempo para serem eficientes quando convocados.
Fiz estas fotos na Feira de São Joaquim, em Salvador. Um lugar espetacular, diferente de qualquer outro mercado que já vi, e o qual eu fazia questão de apresentar aos que de fora iam passear por lá e com disposição para realmente compreender do que é feita aquela cidade. Ah sim, era lá também que eu comprava as melhores lambretas, siris, camarões, etc. Mas é um lugar abandonado pelo Estado, pela vigilância sanitária, pelas rotas depreciativas daquele tipo de turismo mais invasivo culturalmente, mas que, exatamente por isso tudo, consegue conservar uma precariedade estética agressiva, chocante em alguns momentos, mas de autenticidade inabalável.
Gostaria que as fotos fossem realmente capazes de transportar um pouco disso.
Ah sim, eu adoro estragar as fotos com Photoshop.














quinta-feira, 28 de outubro de 2010
O post mais longo do ano! Ou não...
Fico triste de não conseguir escrever aqui no blog o quanto gostaria. Penso, inclusive, no quanto me seria útil uma ferramenta capaz de traduzir, num imediatismo perfeito que só, meus pensamentos em textos facilmente editáveis em qualquer editor de texto.
(Mesma frase contendo tantas quase repetições? Ah, moleque!)
Inclusive, um dos posts que estão na "bala da agulha" para serem postados se refere exatamente a um paliativo tipo de tecnologia super avançada de preservação / manutenção / acervo da minha memória efêmera: o celular.
Pela primeira vez possuo um aparelho capaz de registrar falas dignas de serem postadas aqui, e isso com excelente facilidade de ativação e acesso, além da boa qualidade do material gravado. Já havia tentado antes fazê-lo com badulaques do tipo MP3 Players, mas sem o conforto necessário para uma preservação do distanciamento do pensamento em relação ao suporte.
Para quem não entendeu, é o seguinte: gravar minhas falas em um MP3 Player "chinês" implica em uma série de manobras necessárias para ativar o sistema de gravação do aparelho. Até conseguí-lo, subjetivamente eu já ficava razoavelmente condicionado ao fato de estar gravando minha voz, o que acabava inserindo no processo um nível metalinguístico maior do que o desejado.
A lógica é parecida com a da adoção de uma performance específica, subjetiva e não natural, por parte de sujeitos entrevistados com uma câmera apontando para sua fuça. Mais ou menos isso. E o bacana do meu celular é que, com apenas dois "cliques", o gravado de áudio já está acionado. Perfeito!
Mas dois novos problemas passam a me incomodar a partir da aclamada então solucionática:
1) Em qual ambiente e qual o nível de privacidade eu terei para registrar em voz alta meus devaneios?
2) Qual a possibilidade de minha voz conseguir alcançar a velocidade dos meus pensamentos?
Sobre essas questões tratarei no próximo post. De alento, fica apenas o fato de que cientistas descobriram recentemente, por meio de exames no cérebro ainda conservado "em conserva" de Albert Einstein, que o renomado físico possuía a mesma dificuldade de traduzir em palavras o que pensa. Ou melhor, possuía a mesma qualidade de pensar mais rápido do que sua fala ou escrita pudessem acompanhar.
Boa noite.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
O Rei do Caldo de Mocotó
Nova postagem + Fonte "Georgia" + Fotos "Nonô, Rei do caldo de Mocotó".
Estou fazendo um curso cuja carga horária não é das mais agradáveis: de segunda a quinta, das 18h30 às 21h. O bacana mesmo é o fato de a escola se localizar no centrão de BH, o que faz meu cérebro ativar as mais diversas lembranças da região durante o meu trajeto de ida e volta.
Numa dessas não resisti, e, após uns bons 8 anos sem passar por lá, encarei a experiência antropológica de parar no Nonô, o Rei do caldo de mocotó (o da Amazonas, crássico), e me deliciar com os papos de bebum, as guloseimas super saudáveis e o banheiro mais asséptico do universo. Detalhe - o único banheiro do estabelecimento tem grafado "ELE" na porta. Já dá para se ter uma idéia do nível... E tudo isso em uma segundona insana.
De cara vejo a plaquinha: "Abrimos às 6h de segunda, fechamos às 18h de domingo. Funcionamos 24h". Adoro este tipo de disposição. Me lembro de uma vez, em 1998, ter parado lá, por volta das 00h, para tomar um caldo de mocotó. A lembrança flui perfeitamente: eu, Saulo e Tiago Gontijo saímos a pé do Santo Agostinho, próximo ao colégio Villa Lobos, em direção à rodoviária. Na época estávamos de passagens compradas para assistir aos shows do Blind Guardian em Santo André (o que rende um post bem extenso). E deixamos de ir de ônibus exatamente para economizarmos as passagens e saciarmos nossos vermes abdominais com o suculento caldo (não soou legal isso) do Nonô.
O Nonô possui um título invejável, até certo ponto: o de ser, por nove anos consecutivos, o estabelecimento no Brasil a deter o recorde de vendas da Caracu 300ml.
Passado o frisson pelo recorde de vendas da cerveja preferida dos que mastigam abelhas, vamos ao que interessa: o Nonô é e foi realmente conhecido pelo caldo de mocotó. O caldo forte leva, ainda fervendo, dois ou mais ovos de codorna (cruzinhos). O ovo adicional sai por R$ 0,20. E a opinião do pseudo-gourmet aqui não poderia faltar: sinceramente, é um caldo bem meia-boca. Mas os fortes que mastigam abelha que me digam: quem em BH produz com tanta confiança litros e litros diários de caldo de mocotó? Só mesmo a filial (existe mais alguma???) do próprio Nonô, na rua dos Tupis, praticamente em frente ao tradicional endereço.
Sinceramente, o mocotó fatiado em gomos gordos, acompanhado de suculento pirão, que eu aprendi na Bahia e, modéstia parte, aprimorei muito, é infinitamente mais saboroso. Mas sério, o meu não tem aquela "sujeirinha" crássica dos botecos do centrão de BH que fazem transbordar um sabor quase ritualístico e fundamental para os seus fiéis seguidores. Aliás, se investisse mais no atendimento, banheiros e, principalmente, na apresentação do prato e dos outros petiscos, o Nonô até poderia, mesmo já falecido, pleitear uma vaguinha no afamado e famigerado Comida de Buteco.
Mas sério, quem precisa de apresentação melhor do que esta:
Na foto é possível ver minha caneca de caldo, já pela metade, meus copos lagoinha, quase vazios: um de Seleta e o outro de Brahma. Na parte de cima da estufa temos ovos cozidos, um salgado que não me lembro e, na parte inferior, pedaços suculentos de toucinho frito na gordura mais "light" possível de se imaginar. No momento da foto, um sujeito bem afeiçoado, trajando terno e com cara de adEvogado, traçava sem dó dois nacos desse toucinho. Confesso: só de olhar fiquei com calafrios. Mas tudo isso faz parte do clima do Nonô, visita indispensável a qualquer turista mais empolgado com o ritual butequeiro de raiz de BH.
Nonô, tu me deves uma gruja pelo merchan.
